Eis a razão
da fé dos cristãos: a Páscoa, passagem da morte para a vida. Cristo vence
porque ressuscitou, Ele vive novamente, e agora é para sempre.
Se
observarmos as principais razões que deram origem ao cristianismo encontraremos
de imediato, no anuncio dos apóstolos (Cf. At 3, 12-15; 1Cor 15, 1-11), o
fundamento primeiro: ‘Cristo ressuscitou dentre os mortos’. Esta foi a Boa
Nova (=Evangelho) que levou muitas pessoas a seguirem Jesus, e esta também
deveria ser a principal razão para seguir Cristo hoje, como Igreja atual.
Então,
pergunto, para seguir Jesus Cristo basta apenas esperar a morte para ressuscitar
com Ele? Para enfrentarmos esta pergunta é preciso buscar, em linhas gerais, o
significado originário de Páscoa, assim entenderemos o que ela realmente
significa atualmente.
Se
olharmos e estudarmos o capítulo 12 do livro do Êxodo (=saída), encontraremos
aí o relato da Páscoa dos judeus. Estes, os judeus, se encontravam no Egito, e
viviam numa situação de escravidão. Deus, através de Moisés, quer
proporcionar a libertação do povo por Ele eleito. A Páscoa então acontece, e
neste momento ela tem como significado: ‘a passagem de uma vida escrava para
uma vida liberta’. Todos os anos seguintes fazia-se memória de tal libertação,
chamada de Páscoa. Esta memória da Páscoa é comemorada até os nossos dias
pelo povo judeu.
Jesus também
comemorou a Páscoa judaica (Cf. Mc 14, 12-25). No entanto, na última ceia,
Cristo anuncia a nova Páscoa, diz aos apóstolos que Ele deve morrer, porém
ressurgirá a vida após três dias de sua morte. Cristo se torna o sinal, a
nova aliança feita entre Deus e os homens, da nova Páscoa, que tem
praticamente o mesmo significado da primeira páscoa judaica: ‘a passagem da
morte (vida escrava) a vida (vida liberta)’.
É claro
assim, que para seguir Jesus é preciso crer na ressurreição, mas não crer
somente na ressurreição que virá após a morte, pois isso seria insuficiente
para dar o testemunho de Cristo. É preciso também crer que a ressurreição se
faz no dia a dia ainda enquanto vivos. Como? Toda vez que fazemos a passagem de
algo que nos proporciona a morte, a escravidão a algo que nos gera vida,
liberdade. Por exemplo: Quando temos um relacionamento não muito bom com nossos
pais e buscamos melhorá-lo, estamos buscando esta passagem da morte, neste caso
ocasionada pelo não-diálogo, para a vida, o diálogo. Com isso estaremos dando
um legítimo testemunho de que vale a pena crer na ressurreição de Cristo, e
de que vale a pena ser discípulo seu.
Logo, a Páscoa é um fato que
acontece o ano todo, pois sempre podemos realizar tal passagem da morte para a
vida, não ficando restrita apenas à Semana Santa.
Fabio Camilo Biscalchin